Artigos
1.
O reconhecimento da diferença
REVISTA PROGREDIR - AGOSTO 2022
Tolerar o outro começa pela experiência de ter sido tolerado e, em consequência, tolerar-se a si mesmo. A tolerância traduz-se na aceitação do direito à diferença.
Nas relações de casal, a temática da tolerância prende-se essencialmente com tensões entre a necessidade de individualidade e a construção da conjugalidade.
O desconhecido é muitas vezes inconscientemente assustador, o que pode promover diferentes reações agressivas de ódio, repulsa, evitamento, alienação ou discriminação.
A palavra xenofobia provém do grego “xenos” (estranho) e “fobia” (medo), isto é, receio ou repulsa ao estranho, ao desconhecido, ao diferente, o qual pode ser vivido como uma inquietante estranheza, algo assustador, desorientador. Neste sentido, tendemos a repetir padrões, ainda que por vezes pouco saudáveis, a escolher o conhecido, sentido como mais seguro, nomeadamente, nas experiências relacionais. Muitos resistem à mudança, assim como resistem à alteridade.

2.
O conflito como expressão de uma mal-estar interno
REVISTA PROGREDIR - ABRIL 2022
O conflito no trabalho pode ser muito ansiogénico e disruptivo, uma vez que a confrontação com o problema pode ser quase diária. Pode originar vários tipos de situações: paralisar/internalizar (baixas médicas, burnout); enfrentar/atacar (conflito, discussão); fugir (despedimento, negação, evitamento).
Um conflito no seio profissional pode advir de um choque entre os projetos pessoais, expectativas, desejos e história de vida do colaborador e o desencontro com a empresa, exacerbados por vezes por um ritmo de trabalho acelerado, exigências de produtividade e jornada de trabalho alargada.
A submissão cria um conflito interno, revoltar-se cria um conflito externo, enquanto a expressão clara, refletida e consciente do que sentimos será a posição ideal para diminuir a tensão intrapessoal e interpessoal e evitar a incidência de conflitos e de interpretações dúbias.
3.
Altruísmo - A união faz a força
REVISTA PROGREDIR | DEZEMBRO 2019
Ser altruísta não é apenas dar no sentido financeiro, é dar de si, do seu tempo, da sua vontade, do seu amor e do seu saber. É um comportamento saudável, uma vez que pressupõe uma valorização e validação das suas próprias competências e recursos, reconhecer que temos algo de bom para dar e partilhar.
O verdadeiro valor do conhecimento revela-se quando é partilhado. Quanto mais o sujeito dividir a sua sabedoria com os que o rodeiam, mais ele cria possibilidades de expandir o seu saber e mais ele agrega aos outros. Um aprendizado enriquece muito mais quando cresce de forma colaborativa/coletiva, permite visualizar novas perspetivas, evoluir, abre espaço para a troca e contribui para o crescimento e a sabedoria coletiva. O bom de ensinar é que sempre se aprende. Dividir é quase sempre sinónimo de somar, de acrescentar valor.
Do ponto de vista evolutivo, o altruísmo e os comportamentos cooperativos estão na base da evolução e sobrevivência das espécies, na manutenção do equilíbrio do ser humano, da sociedade e do planeta como um todo. São fonte de progresso e desenvolvimento.

4.
Burnout - Queimar até à exaustão
REVISTA PROGREDIR - JULHO 2019
O burnout é causado essencialmente pela vivência de um stress crónico no espaço institucional, o qual provoca grande sofrimento psíquico. O sujeito entra em colapso, perde o controlo e chega ao seu limite. Tal explica o sentimento de esvaziamento, de empobrecimento interior, uma sensação de esgotamento total.
Vivemos cada vez mais num mundo em que as oportunidades e as exigências abundam, em que o tempo nunca é suficiente. A sociedade encontra-se num ritmo acelerado de mudanças, o que gera um stress e ansiedade crónica. Sendo que o tempo se tornou volátil, tudo é provisório, nada é permanente, gera uma atitude bulímica de devorar o tempo, sem fruir o momento. Sem espaço e sem tempo para as relações, para sermos, acumulamos, fazemos, temos e perdem-se valores e momentos essenciais para o bem-estar pessoal e coletivo. O sujeito acumula papeis, de profissional, pai/mãe, mulher/marido, filho/a e/ou estudante e não consegue cultivar tempo de qualidade para as relações familiares. As novas gerações crescem com carências afetivas, em que o amor próprio não se solidificou o suficiente. Substitui-se a presença por bens materiais, por resultados escolares, por resultados profissionais, carreiras, números, dinheiro e perde-se a verdadeira essência e necessidade do ser relacional que somos, que necessita de preencher-se com afeto e amor.
